sábado, 7 de fevereiro de 2009

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E AVALIAÇÃO

Prática pedagógica e avaliação

Diversos problemas foram apontados pelas comunidades escolares referentes às práticas pedagógicas e às formas de avaliação do ensino e da aprendizagem nas escolas. A dimensão “Prática Pedagógica e Avaliação” proposta no Indique possibilita refletir acerca do compromisso da comunidade escolar com a elaboração e implementação de seu Projeto Político Pedagógico, sobretudo no que se refere ao planejamento do ensino, ao desenvolvimento de uma prática pedagógica inclusiva, às formas de avaliação dos alunos e ao acompanhamento dos processos de ensino e de aprendizagem. Possibilita, ainda, refletir sobre as relações que a escola estabelece com seu entorno.Os principais problemas apontados pelas escolas foram: 1) desconhecimento do Projeto Político Pedagógico pelos familiares e pela própria comunidade escolar; 2) dificuldade de relacionar a escola com o bairro, seja por meio de contextualização dos conteúdos, seja por meio de visitas a localidades importantes do bairro; 3) dificuldades em lidar com alunos portadores de necessidades educacionais especiais na sala e aula e na escola; 4) e também a inexistência de um acompanhamento sistemático que agregue avaliação dos alunos, dos docentes, dos profissionais da escola, com critérios claros, com resultados compartilhados e que ofereça subsídios para a prática pedagógica.De modo geral, os desafios estão relacionados às práticas de Gestão do Projeto Político Pedagógico pelos professores nas salas de aula e pelas equipes técnicas nas escolas, ou mesmo pelas Secretarias de Educação.As propostas de enfrentamento do desconhecimento do Projeto Político Pedagógico giram em torno de sua discussão e divulgação fazendo uso de diferentes estratégias:
nas reuniões de pais, horário de trabalho pedagógico coletivo dos professores (HTPC), Conselho Escolar, eventos ordinários da escola;
criação de página na internet com as diretrizes gerais dos PPPs das escolas, suas ações, conteúdos e resultados alcançados com sua implementação;
elaboração de cartazes e bunners a partir de trabalhos desenvolvidos com os alunos em sala de aula;
envolvimento do Grêmio Estudantil;
investimento em peças teatrais dirigidas pelos alunos que problematizem os PPPs das escolas.
A contextualização da escola em relação a seu entorno pode ser efetivada por meio:

de práticas extracurriculares que investiguem a história do bairro e valorize os locais ali existentes que se mostram importantes do ponto de vista pedagógico;
de parcerias com entidades locais (ONGs, Postos de Saúde, Associação de Moradores) para o desenvolvimento de atividades como palestras e entrevistas;
da inclusão na escola de manifestações artísticas e culturais existentes no bairro;
da solicitação de apoio da Secretaria de Educação para contribuir com as condições necessárias para o desenvolvimento de projetos extra-curriculares.
O trabalho com alunos portadores de necessidades educacionais especiais envolve para as comunidades escolares:
parcerias com a Secretaria de Educação e Universidades para que as escolas recebam estagiários ou monitores que contribuam no atendimento em sala de aula
contratação de profissionais de apoio (fonoaudiólogo, psicopedagogo)
formação dos professores;
palestras sobre o tema;
a disponibilização de materiais e espaços adequados para atendimento dos alunos.

A implantação de um sistema de avaliação que agregue alunos, docentes e profissionais da escola pode ser realizada:
pela instauração de uma prática de auto-avaliação processual tanto de alunos como de professores;
subsidiando, por meio de programas de capacitação dos professores, práticas diversificadas de avaliação dos alunos;
pela troca de experiências entre professores de iniciativas bem sucedidas;
pela elaboração de instrumentos que permitam o levantamento dos conhecimentos dos alunos e de suas dificuldades;
pela elaboração de instrumentos adequados para avaliação dos profissionais da escola;
pela socialização dos resultados da avaliação dos alunos junto aos familiares;
com o estabelecimento de uma dinâmica para o Conselho de Classe concebida com base na discussão prévia de critérios de avaliação do desempenho dos alunos.
A maneira pela qual as escolas diagnosticaram seus problemas no âmbito dessa dimensão indica fortemente que elas reconhecem a necessidade de investir esforços na elaboração e gestão de seus projetos políticos pedagógicos. De modo geral, as soluções propostas consideram que a comunidade escolar, para enfrentar esses problemas, deve avaliar de forma sistemática a função social da escola no que se refere às finalidades da educação que pratica. Assim, a implantação de um sistema de avaliação irá requerer de toda a comunidade escolar a disponibilidade de reconhecer suas fragilidades em relação às metas que ela mesma se propõe.

O estabelecimento de metas, no entanto, não pode ser uma tarefa meramente burocrática, muito menos deve se pautar em referências exteriores à realidade das unidades escolares. A elaboração do projeto político pedagógico, bem como sua gestão, não pode se dar pela naturalização dos impasses vividos pela escola; ao contrário irá requerer que o coletivo da escola problematize esses impasses, trilhando um caminho investigativo no sentido de compreender e enfrentar suas dificuldades e limitações. Essa é uma perspectiva promissora para que o processo de elaboração do projeto político pedagógico contribua para a constituição do coletivo escolar. Noutras palavras, a idéia é a de que o PPP tem o seu valor não tanto enquanto produto, mas principalmente como processo para constituição do coletivo escolar.

Esse é um aspecto importante a ser considerado no enfrentamento de problemas relacionados às práticas pedagógicas, sobretudo porque o trabalho em grupo está atualmente colocado como uma perspectiva cultural quase que obrigatória para o futuro. Como negociar no contexto da escola metas e intenções educacionais se o professor nunca passou por uma experiência de grupo na qual pôde exercitar sua capacidade de argumentação e de refletir de forma cooperativa? Como enfrentar e superar a sensação de impotência em relação à profissão de ensinar, sem a sustentação de seus pares? Muitas outras questões poderiam ser feitas nessa mesma direção, mas o importante é destacar que, se o trabalho coletivo na escola é fundamental para que essa instituição redescubra, inclusive, sua função social, é também fundamental que os professores e as equipes técnicas se dediquem a constituir esse coletivo para enfrentar as dificuldades próprias dessa dimensão e definir, no âmbito de seu projeto político pedagógico metas que efetivamente possam ser alcançadas e que, sobretudo, levem em consideração as singularidades de cada instituição escolar.
Elisabeth Barolle (profª da Faculdade da Unicamp/SP)
Claudia Bandeira (coord. Projeto Indique na Ação Educativa)

Um comentário:

Wesliene Mendes disse...

Muito bom. me ajudou bastante,obrigada!